Fibromialgia e Dor Crônica
Quadros de dor persistente que afetam sono, humor, cognição e funcionalidade, com forte interface entre psiquiatria, neurologia e reumatologia.
O que é.
A dor crônica é definida como dor persistente por mais de três meses, que extrapola o tempo esperado de cicatrização tecidual. A fibromialgia é uma forma específica de dor crônica difusa, associada a fadiga, alterações do sono, da cognição (a chamada "fibro fog") e do humor. Ambas envolvem mecanismos centrais de processamento da dor (sensibilização central) e têm forte interface com a psiquiatria.
Esses quadros são reais e biológicos — não são "frescura" nem "psicossomática" no sentido depreciativo. A coexistência com depressão, ansiedade e distúrbios do sono é frequente, e o tratamento integrado, multidisciplinar, é o que oferece melhores resultados.
Sintomas frequentes.
- Dor difusa ou localizada, persistente por mais de 3 meses
- Fadiga acentuada, com sono não restaurador
- Distúrbios do sono — insônia, sono fragmentado
- Alterações cognitivas — dificuldade de concentração e memória ("fibro fog")
- Sintomas depressivos e ansiosos frequentemente associados
- Hipersensibilidade a estímulos (luz, som, toque)
- Cefaleias, dores articulares migratórias, rigidez matinal
- Sintomas gastrointestinais (síndrome do intestino irritável associada)
- Prejuízo significativo em trabalho, vida social e autocuidado
Causas e fatores de risco.
A fibromialgia e a dor crônica envolvem sensibilização central — alteração do processamento da dor no sistema nervoso central, com amplificação dos sinais. Fatores genéticos, traumas físicos ou psicológicos, infecções, distúrbios do sono e estresse crônico contribuem. Há disfunção em sistemas neurotransmissores (serotonina, noradrenalina, glutamato) que sustentam tanto a dor quanto sintomas psiquiátricos associados.
Como é o diagnóstico.
O diagnóstico é clínico, baseado em entrevista cuidadosa, mapeamento da dor e exclusão de outras causas tratáveis. Critérios atualizados (ACR 2016 para fibromialgia) consideram a distribuição da dor, a presença de fadiga, sono não restaurador e sintomas cognitivos. A integração com reumatologia e neurologia é frequente, e a avaliação psiquiátrica investiga comorbidades que perpetuam o quadro.
Como é o tratamento.
A abordagem é multidisciplinar e integrada. Medicações com ação central — antidepressivos duais (duloxetina, venlafaxina), antidepressivos tricíclicos em baixa dose, gabapentinoides (pregabalina) — atuam tanto sobre a dor quanto sobre comorbidades. Atividade física regular, com progressão gradual, é parte essencial e tem forte evidência. Higiene do sono, TCC adaptada para dor crônica e estratégias de manejo do estresse compõem o plano. Opioides são geralmente evitados.
Cuidado psiquiátrico para Dor Crônica em João Pessoa.
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